“O Gen. Silva e Luna vai ter muito trabalho”

Por Cláudio da Costa Oliveira – abril de 2021

Em julho de 2017 escrevi artigo com este mesmo título. Na ocasião procurei descrever o patético pronunciamento do então presidente da Petrobrás, Pedro Parente, em jantar promovido pelo site Poder 360 em Brasília.

Parente, que completava um ano à frente da empresa, se dizia surpreendido com a paralisia da gerência da companhia e afirmou que “a média gerência está paralisada, amedrontada”, alegando tratar-se de uma reação à operação Lava Jato, “porque eles respondem com o CPF”. Segue o link para o artigo completo: https://www.aepet.org.br/w3/index.php/artigos/artigos-da-aepet-e-colaboradores/item/518-qual-e-o-temor-dos-gerentes-da-petrobras .

Quase quatro anos se passaram. Os planos de destruição da empresa, iniciados com administração Bendine no governo Dilma, foram implementados por Parente com paralisação dos investimentos, venda de ativos rentáveis e política de preços de paridade de importação (PPI).

Os sucessores de Parente, Ivan Monteiro e Castello Branco, seguiram a mesma linha. Com isto, a Petrobrás, que no período 2011/2014 sempre teve uma receita liquida superior a US$ 140 bilhões (US$ 144 bilhões em 2014), assistiu este número despencar para exíguos US$ 54 bilhões em 2020. Uma queda de US$ 90 bilhões, valor superior ao PIB de mais de 90% dos países do mundo. As causas e os efeitos desta queda de receita podem ser melhor analisadas nos recentes artigos: “Por que, mesmo tendo sido dilapidada, Petrobrás consegue manter elevada geração de caixa ?” http://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/5973-por-que-mesmo-tendo-sido-dilapidada-nos-ultimos-anos-petrobras-consegue-manter-elevada-geracao-de-caixa;  e “O chamado subsídio aos preços dos combustíveis (2011/2014) foi benéfico para o Brasil, Petrobrás, acionistas e consumidores” https://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/6011-o-chamado-subsidio-aos-precos-de-combustiveis-2011-2014-foi-benefico-para-o-brasil-petrobras-acionistas-e-consumidores

Ontem, 14/04, o ex-gerente de RH da Petrobrás, o demitido Cláudio da Costa (infelizmente duplamente meu homônimo), em entrevista à revista Exame destacou que “desde a descoberta da Operação Lava Jato, a empresa vive uma cultura extrema de denuncismo, em que o compliance vive num extremo oposto do que era antes”,  e também que “essa cultura leva a uma apatia na gestão da empresa, o que faz com que gestores tenham medo de tomada de decisão”. 

Não vou falar das acusações que pesam sobre o ex-RH, mas será que ele nem desconfia que a “apatia” existe muito mais em função do modelo de administração de pessoal implementado por ele e Castello Branco baseado no terrorismo, na coação e no assédio? Este modelo fez com que a maioria dos bons e competentes gestores deixassem a companhia, aproveitando os PDV’s. Restaram, em grande maioria, os chamados “carreiristas” que nenhum compromisso tem com a história e o desenvolvimento da Petrobrás.

O Gen. Silva e Luna vai ter muito trabalho