Quadro do Plano de Negócios 2021-2025 indica impacto negativo na produção da Petrobrás com os desinvestimentos previstos – Fonte: Agência Petrobrás

Por Cláudio da Costa Oliveira – novembro 2020

“A destruição começou no governo Dilma do PT”

A atual direção da Petrobrás informou em comunicado no dia 25 desse mês a aprovação do Plano Estratégico 2021-2025, conforme podem ver no link a seguir:

https://petrobras.com.br/fatos-e-dados/aprovamos-nosso-plano-estrategico-para-o-quinquenio-2021-2025.htm

Apesar de deixar de mostrar (ou esconder) dados relevantes, já dá para perceber que se trata da continuidade do plano de destruição da Petrobrás iniciado em governos passados.

Na verdade, a destruição começou no governo Dilma do PT, com o leilão de Libra em 2013 e com o Plano Estratégico de Bendine em 2015, que previa venda de ativos de mais de US$ 55 bilhões, passando pela nomeação de Roberto Castello Branco para o Conselho de Administração da companhia, também em 2015.

No governo Michel Temer, com Pedro Parente na presidência da companhia, entre outras “melhorias” para destruição da empresa, foi implantada a política de preços baseada do “Preço de Paridade de Importação”, um verdadeiro crime contra a economia popular e o desenvolvimento da nação.

Naturalmente esta política de preços criminosa está mantida no novo Plano Estratégico, apesar de não estar informada no documento.

A previsão de investimentos continua caindo. No Plano 2019-2023 era de US$ 84,1 bilhões. No Plano 2020-2024 caiu para US$ 76 bilhões. O novo Plano prevê apenas US$ 55 bilhões.

Na atual administração da Petrobrás ninguém pensa no crescimento da empresa, no desenvolvimento industrial brasileiro ou na geração de empregos no país.

A queda dos investimentos objetiva tão somente a geração de maior Caixa Livre, o chamado “Free Cash Flow”, calculado da seguinte forma:

Caixa livre = Geração de Caixa – Investimentos

Ou seja, quanto menores forem os investimentos, maior será o caixa livre, sendo este a referência para pagamento de dividendos.

Esta é uma característica de empresas em decadência, sem projetos para o futuro.

A produção total de 3,3 MM boed prevista para 2025, como vemos no quadro que abre o artigo, poderia ser muito maior se não fosse o pouco investimento e a venda de ativos de produção em terra e no mar, que por si só causam uma redução de 0,6 MM boed na produção total.

Tudo é feito para gerar recursos para pagamento de dividendos o mais rapidamente e no maior volume possível, principalmente para estrangeiros. O futuro da empresa não importa.   

Para garantir a conivência dos gerentes e dos empregados, o comunicado destaca as métricas de topo (esdrúxulas) “que deverão impactar diretamente a remuneração não só dos executivos, mas de todos os empregados da companhia em 2021”

Efetivamente a Petrobrás atualmente paga dividendos com os recursos gerados pela venda de ativos. O próprio comunicado é bem claro quando afirma que “os desinvestimentos contribuem para melhorar a alocação de capital e consequentemente para criação de valor para o acionista”.

Mas o comunicado não informa qual o valor de venda de ativos previstas e nem quanto será paga em dividendos.

Tais informações, fundamentais, só serão apresentadas no próximo dia 30, no Petrobras Day em Nova York, quando os administradores da empresa vão falar com seus patrões.

Nós brasileiros, teoricamente donos da companhia, aguardamos as ordens para o abate.