Por Cláudio da Costa Oliveira –  outubro 2020

A Petrobrás anunciou no dia 28 de outubro que seu Conselho de Administração aprovou uma revisão na sua política de remuneração com o objetivo de possibilitar que a companhia possa fazer distribuição de dividendos mesmo que venha a apurar prejuízos contábeis. Veja o informe por esse link: https://api.mziq.com/mzfilemanager/v2/d/25fdf098-34f5-4608-b7fa-17d60b2de47d/27a3d00d-6c30-41de-7222-a2f841897635?origin=1

Já alertamos em diversos artigos que a empresa hoje é administrada por financistas cujo interesse é utilizar a companhia para atender ao mercado financeiro, de onde eles vieram.

O Plano de Negócios (2020/2024) mostra que a atual administração planeja vender ativos para pagar dividendos.

Um novo Plano de Negócios (2021/2025) será apresentado em Nova York no final de novembro. Vejam bem: esta empresa estatal brasileira primeiro apresenta seus planos nos EUA, para depois apresentá-los no Brasil. Onde fomos parar.

Presidente da Petrobrás em evento na Bolsa de Nova York em 2019, onde ele voltará em novembro para apresentar no novo Plano de Negócios 2021-2025 Agência Petrobrás

Neste novo plano (2021/2025) vai ficar ainda mais clara a intenção de sangrar a empresa para pagar dividendos a seus acionistas.

Hoje, do capital total da Petrobrás, o governo brasileiro detém 36%, dos quais 8% através do BNDESPar que, segundo informações da imprensa, pretende se desfazer de sua participação. Se o BNDESPar se desfizer realmente de suas ações, a participação do governo cairia para 28%.

Já os acionistas estrangeiros detêm mais de 45% do capital total da empresa. Deve ser por isto que os administradores da companhia que, apesar de serem nomeados pelo governo brasileiro (que detém mais de 50% das ações ordinárias, como determina nossa Constituição Federal), vão prestar obediência ao capital americano.

Uma empresa que acaba de desembolsar mais de US$ 15 bilhões pelo direito de exploração das reservas do excedente da cessão onerosa deveria estar se capitalizando e não jogando pelo ralo sua geração de caixa.

Não existe qualquer interesse em se utilizar a empresa para o desenvolvimento do país, como estabelece seu estatuto. Prioridade é a distribuição de dividendos e, sempre que necessário, as regras serão mudadas.

Um país cujo povo, por falta de informação, não defende seus próprios interesses é fadado à escravidão.

No mundo todo, correntes ideológicas antagônica (socialistas, capitalistas) e diferentes abordagens econômicas (liberais, desenvolvimentistas) se unem para fazer com que o Brasil seja uma eterna colônia, fornecedora de alimentos e matérias primas para o desenvolvimento deles. Todos só querem explorar.

O Congresso Nacional é infestado por lobistas defendendo interesses de estrangeiros. Leis, como a PEC do trilhão, são aprovadas sem nenhuma contestação. E quem defende o Brasil?

A nação brasileira precisa separar o joio do trigo. Identificar os congressistas que trabalham pelo desenvolvimento do país e aqueles que apoiam sua exploração. É fácil de verificar.

Sem isto que futuro terá o Brasil?