Por Cláudio da Costa Oliveira – outubro de 2020

Peça de apresentação dos resultados da Petrobrás do 3º Trimestre de 2020 – Agência Petrobrás

Mesmo com o brent a US$ 43 o barril e o câmbio a R$ 5,38, a Petrobrás registrou prejuízo de R$ 1,55 bilhão no 3º trimestre de 2020.

A geração de caixa, historicamente uma das principais características positivas da Petrobrás, foi forte (R$ 46,10 bilhões) mas a liquidez corrente, de 1,15, se manteve bem abaixo do histórico da companhia sempre acima de 1,50, registrando um menor conforto financeiro.

Mas o maior problema da Petrobrás hoje é o modelo de administração que objetiva apenas maximizar a remuneração dos acionistas, pouco se importando com o futuro da companhia e sua importância para o país.

Uma empresa que deveria estar se capitalizando, na verdade reduz seus investimentos ao máximo para poder dirigir o maior volume de recursos gerados para o ralo dos dividendos.

No 3º trimestre de 2020 os investimentos da Petrobrás foram de apenas R$ 1,6 bilhões, provavelmente o menor investimento trimestral dos últimos 15 anos.

E o CEO, Roberto Castello Branco, em sua carta dá destaque ao caixa livre (geração – investimentos) como se isto fosse muito relevante para a empresa.  

Por outro lado, a receita vem caindo sistematicamente e com ela a importância da companhia para a economia brasileira. As diferenças são enormes.

Ainda não temos os resultados em dólares para o 3º trimestre de 2020 para uma melhor avaliação, mas, se verificarmos o acumulado até o 1º semestre, vamos encontrar uma receita liquida de US$ 26,6 bilhões em 2020.

Não é preciso ir muito longe, em 2016 neste mesmo período a receita liquida foi de US$ 38,30 bilhões, com o câmbio a R$ 3,70 e o Brent a US$ 39,73.

Tão relevante quanto a queda na receita é a sua origem. Em 2016 menos de 10% da receita vinha de exportações, e hoje as exportações representam mais de 30%. Tudo não seria tão importante se as exportações não estivessem concentradas em um único país: a China. Isto cria uma dependência desnecessária para a empresa.

O pior é que a queda de receita tende a aumentar se forem concretizadas as vendas das refinarias.

A primeira venda parece que já está concretizada, da Rlam (Bahia), para o fundo Mudabala da Arábia Saudita. E qual a importância disso?

Bem, da Arábia Saudita é também a maior petroleira do mundo, a Saudi Aranco.

Por “coincidência” a Saudi Aranco é sócia (50/50) da Shell em três refinarias no Golfo do México de onde atualmente são exportados cerca de 200 mil barris dia de combustíveis (diesel e gasolina) para o mercado brasileiro, aproveitando a política de preços da Petrobrás, o Preço de Paridade de Importação – PPI.

A Shell por seu lado, produz hoje no Brasil mais de 400 mil barris dia de petróleo, sem pagar qualquer imposto, graças à Lei 13586/2017, originária da Medida Provisória 795/2017, conhecida como a MP do trilhão. Tudo com o apoio de nossos congressistas.

A Shell também é sócia da Raizen no Brasil, junto com a Cosan (maior esmagadora de cana de açúcar do mundo). A Raizen serve como biombo para encobrir as atividades da Shell no Brasil.

Diante deste cenário, podemos imaginar o número de opções para o futuro da Rlam.  

Agora, no final do próximo mês de novembro, a diretoria da Petrobrás vai a Nova York para apresentar no novo plano de negócios cobrindo o período 2021/2025.

Como ocorreu no ano passado, o plano da empresa é primeiro apresentado na Bolsa de York, para depois ser apresentado aos brasileiros. É um absurdo.

Fica a pergunta: quanto custa e de que serve isso para os brasileiros ?

Sr. Presidente Jair Bolsonaro, o Sr. que sempre diz que o Brasil está acima de tudo, mande abrir uma “ordem interna” no sistema SAP da Petrobrás, para apurar e informar aos brasileiros quanto custa esta brincadeira. Quanto custa tirar fotografia “batendo martelinho” na NYSE. Além de avião, hotel e restaurantes de 1ª para a turma.

Um país cujo povo, por falta de informação, não defende seus próprios interesses é fadado à escravidão.