Por Cláudio da Costa Oliveira – outubro de 2020 

Em setembro de 2017 escrevi artigo com a título “Para a atual diretoria da Petrobrás somos todos idiotas”.

https://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/776-para-a-atual-diretoria-da-petrobras-somos-todos-idiotas

Fiz isto em resposta a uma carta enviada na época aos funcionários repleta de afirmativas de auto promoção. Mentiras com as quais tentavam convencer os menos preparados. Chamavam estas cartas (foram diversas), que não permitiam perguntas e muito menos comentários, de “diálogo”.

Pois bem, hoje, avisado por um amigo, deparei no site da empresa com uma tentativa de explicar o inexplicável com o título  “Conheça nossos novos caminhos” . https://novoscaminhos.petrobras.com.br/

Iniciam o documento esclarecendo: “estamos concentrando esforços no que vai trazer os resultados que queremos”.

Sem dúvida, inclusive o atual presidente Castello Branco sempre foi muito claro daquilo que queria. Logo que tomou posse: “Meu sonho é vender a Petrobrás”. De lá para cá não fez outra coisa senão afirmar que a empresa está focada em “gerar valor para os acionistas”. Só não explica bem para quais acionistas ele está se referindo.

Hoje, do capital total da companhia só 36% está nas mãos do governo brasileiro (representante do povo), os outros 64% está nas bolsas de valores (cassinos de aposta), sendo a maioria na posse de estrangeiros.

Bolsas de valores (cassinos) não têm compromisso com o desenvolvimento e o crescimento das empresas. A partir do momento em que o papel da companhia está cotado na bolsa, o único interesse dos acionistas é com o pagamento de dividendos. A empresa pode estar se esvaindo, mas desde que esteja pagando bons dividendos, seu valor na bolsa continuará alto.

O pior é que as bolsas são controladas por grandes fundos de investimentos (BlackRock, Vanguard, J.P.Morgan etc), que formam a banca financeira internacional. Como sabemos, nos cassinos a “banca” sempre ganha.

Toda empresa tem seu produto principal. O mais rentável. Mas não é por isto que abandona outras linhas menos rentáveis, afinal, são ainda rentáveis. O que importa é o conjunto.

Vender ativos altamente rentáveis e estratégicos como NTS, TAG e BR Distibuidora, bem como as refinarias, não tem justificativa. Alegar necessidade de redução de endividamento é uma tese sem suporte, pois o retorno médio que estes ativos geram para a empresa é superior ao custo dos empréstimos.

Estamos assistindo à sangria da companhia para beneficiar o mercado de capitais. Isto já estava claro no Plano de Negócios e Gestão – PNG 2020/2024, e vai ficar mais claro ainda quando da apresentação do PNG 2021/2025 previsto para o final de novembro em Nova York.

No novo PNG uma das principais premissas, o preço do Brent, será reduzido de US$ 45-50 do plano anterior (2020/2024) para algo em torno de US$ 35. Com isto, a principal fonte de recursos do plano, a geração operacional de caixa, será reduzida. Para compensar, a empresa pretende aumentar a venda de ativos e reduzir os investimentos, com o objetivo óbvio de manter ou aumentar o pagamento de dividendos.

Para saber disto não é necessário ser mãe Dináh nem ler bola de cristal, basta acompanhar as declarações da própria empresa.

O documento (no site da Petrobrás) destaca: “Transparência é muito importante para nós”. Se é verdade, fica a nossa sugestão para que abram um campo para que possamos colocar comentários e fazer perguntas. Se não conhecêssemos os objetivos da atual administração da companhia, poderíamos lembrar da máxima antiga: “Nunca coloquem todos os ovos na mesma cesta”.