Por Claúdio da Costa Oliveira – agosto 2020

Para a atual administração da Petrobrás (Castello Branco/ Cláudio Costa), a falta de respeito e consideração com seus funcionários já é uma marca.

A política de RH implantada se baseia no assédio, na coação e no terrorismo, modelo provavelmente copiado das fazendas brasileiras escravistas do sec. XVIII.

Hoje o que não falta na Petrobrás são feitores e capitães do mato, incompetentes para a empresa, mas muito bem pagos para fazer o trabalho sujo. O deles está guardado (assando). 

NÚMEROS FALSOS 

Conforme demonstrado em recente (18/08) artigo “AMS mudou números de seu relatório 2019 sem avisar ninguém” (https://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/5070-ams-mudou-numeros-de-seu-relatorio-2019-sem-avisar-ninguem ), ficou clara a falta de ética e transparência com que a atual administração da Petrobrás trata seus funcionários.

O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo – SINDIPETRO-ES, através de seu departamento jurídico, fez uma solicitação de explicação na última sexta-feira (21/08), com prazo de resposta de 10 dias, como vemos no comunicado a seguir:

 *INFORME JURÍDICO*
SINDIPETRO-ES REQUISITA INFORMAÇÕES SOBRE DÉFICIT DA AMS  

A Assessoria Jurídica do Sindipetro-ES ingressou com pedido de informações na data de hoje (21/08/2020 – sexta feira) à Petrobrás, fundamentado na LEI Nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação), solicitando explicações acerca de incongruências nos números publicados no balanço 2019 da Assistência Multidisciplinar de Saúde – AMS.

O referido balanço, quando divulgado, apresentava a informação de que a “relação de custeio” da empresa no ano de 2019 teria sido de *73%, com um déficit de R$ 84,7 milhões.*

No entanto, ao serem analisados os valores mais detidamente, notava-se que a relação de custeio do referido ano seria de 69%, não existindo o supramencionado déficit.

Portanto, fez-se necessária a solicitação de informações junto ao e-Sic, tombada sob o número de protocolo de 99909.003378/2020-51, a fim fossem esclarecidas as divergências detectadas.

O prazo de resposta é de 10 dias úteis.

*SINDIPETRO-ES EM AÇÃO*

É importante que outros sindicatos e associações adotem ações similares, ou da natureza que julgarem adequadas, para paralisar, liminarmente, as cobranças que estão sendo feitas dos trabalhadores.

Além disto, foi verificado que os números apresentados no relatório da AMS diferem enormemente dos publicados pela Petrobrás em suas Demonstrações Financeiras.

Com tudo isto, qualquer que seja a resposta que venha a receber o Sindipetro ES, torna-se imperiosa uma solicitação de perícia judicial contábil dos gastos com AMS. 

Não podemos continuar pagando pacificamente as cobranças que nos são feitas. Merecemos defesa.  

ARGUMENTOS FALSOS  

No seu inexplicável ímpeto de terceirização da administração da AMS, a atual administração da Petrobrás tem apontado como uma das principais justificativas para uma nova gestão o elevado número de reclamações que nosso plano de saúde vem causando, como vemos no item 11 das justificativas que você encontra aqui: https://ams.petrobras.com.br/portal/ams/beneficiario/perguntas-e-respostas-novo-modelo-de-gestao-ams.htm

A Agência Nacional de Saúde Suplementar– ANS, publica o número de reclamações dos planos de saúde brasileiros e seu gráfico mostra que as reclamações da AMS superaram a média dos planos similares somente à partir de dezembro de 2019, período já sob administração do Sr. Cláudio Costa.

Fica claro que o problema do crescimento nas reclamações é reflexo direto da péssima administração atual.  

Gráfico com reclamações contra a AMS-Petrobrás. (fonte: ANS)

Se observarmos o gráfico de outro plano de autogestão verificamos que o problema não ocorreu.

Gráfico com reclamações contra plano de saúde da Caixa Econômica Federal (fonte:ANS)

Muitos podem alegar que, por se tratar da Caixa Ecônomica Federal, empresa estatal, pode ter ocorrido alguma correção beneficiando os participantes, impedindo o crescimento das reclamações.

Vamos então verificar o gráfico do plano da Vale, empresa que, apesar de privatizada, manteve o modelo de autogestão.

Vejam que o número de reclamações no plano da Vale é baixíssimo em relação à média do setor.

Fica claro que o problema não é a autogestão, mas sim a péssima administração.

Gráfico de reclamações contra plano de saúde da Vale S/A. (fonte: ANS)

COBRANÇAS SEM EXPLICAÇÃO

Sou participante (aposentado) do Plano Petros 2, como, creio, quase 50 mil petroleiros.

Poucos sabem, mas os aposentados pelo Plano Petros 2 nunca tiveram direito a adiantamentos salariais no dia 10, nem a adiantamentos do 13º salário em fevereiro, o que, na minha opinião, deveria ser um direito por isonomia com os outros planos.

Da mesma forma, os aposentados do Plano Petros 2 recebem a cobrança da AMS por boleto bancário, que nos é enviado por email.

Neste mês de agosto/2020 não recebi a cobrança por email, e não fiz o pagamento que é sempre no dia 10. Quando percebi, o problema liguei para a AMS e fui informado que o boleto poderia ser obtido no site da AMS.

Meus últimos pagamentos de AMS (maio, junho, julho) foram em torno de R$ 300,00 reais, mas o boleto de agosto veio com o valor de mais de R$ 1.100,00 (com correção diária pelo atraso).

Liguei novamente para a AMS para saber qual era a composição daquela cobrança. Fui informado que deveria fazer uma reclamação no “Fale conosco” e que, devido à pandemia, a resposta levaria pelo menos 30 dias úteis.

Sempre soube que o Código de Defesa do Consumidor obriga que as cobranças sejam descriminadas. É um direito.

E eles não querem reclamações?