Por Cláudio da Costa Oliveira – julho 2020  

O programa Pró-Brasil lançado em abril pelo Chefe da Casa Civil do Governo, Braga Netto, é o único caminho viável para retirar o país do “atoleiro” provocado pelas políticas neoliberais arcaicas que vem sendo implementadas por Paulo Guedes e seus assessores.

O programa prevê investimentos em infraestrutura (ministro Tarcísio), de R$ 30 bilhões, e em desenvolvimento regional (ministro Rogério Marinho), de R$ 185 bilhões, nos próximos 3 anos.

Slide de apresentação do programa Pró-Brasil

Guedes e sua equipe, que não compareceram ao lançamento do novo programa, o apelidaram de “PAC da Dilma”, e disseram que não sairia do papel.

O fato é que a atual política econômica já vinha conduzindo o país para a recessão, ao contrário do que afirma Guedes, pois inibe os investimentos impedindo o crescimento do PIB e a geração de empregos.

Com a crise da pandemia do coronavírus a situação se agravou e, ao invés de recessão, o país caminha para a depressão se não forem tomadas providencias desenvolvimentistas.

Membros da equipe econômica do governo já reconhecem que o desemprego vai disparar a partir de setembro. https://www.brasil247.com/brasil/desemprego-vai-disparar-em-setembro-diz-membro-da-equipe-de-paulo-guedes

Com o desemprego, os problemas sociais vão aumentar. Os fatos exigem correção de rumo imediata. Não podemos aguardar 2022 para tentar resolver os problemas.

NEOLIBERALISMO DE PAULO GUEDES

Tenho acompanhado muitos amigos discutindo, escrevendo e combatendo as propostas neoliberais que vêm sendo impostas ao nosso país.

Eu mesmo já fiz muito isto, porém, chego à conclusão de que se trata de uma discussão inócua, infrutífera, em função da diferença de pensamento que nos separa deles.

Pela proposta neoliberal, os recursos financeiros têm de ser alocados onde possam obter os maiores retornos e o mais rapidamente possível. Parece lógico. A opinião tem de ser respeitada.

Dinheiro não tem pátria, portanto os neoliberais olham para o Brasil como olham para qualquer outro país no mundo.

Seu objetivo não é o desenvolvimento de uma região ou de uma nação. Seu objetivo é a exploração da região ou da nação da melhor forma possível.


Nós, no entanto, temos um entendimento completamente diferente. Objetivamos o desenvolvimento de nossa região, o local onde nascemos, pela qual nossos ancestrais lutaram e morreram.

Temos de respeitar a opinião dos outros. Mas eles também têm de respeitar a nossa e, havendo um grau de informação adequado, nossa opinião deve prevalecer pois representa o pensamento de esmagadora maioria o povo brasileiro.

Portanto, discutir os detalhes das ações não é importante e não leva a nada. O importante é o conceito superior e a opinião do povo em questão.

Sabemos que o neoliberalismo já estava em franca decadência pois exacerbou as desigualdades e a pobreza no mundo. Isto já foi claramente identificado pela maioria dos economistas que passaram a buscar novos modelos.

Com a ocorrência da pandemia do coronavírus os problemas do neoliberalismo aumentaram substancialmente. As nações perceberam que não estavam mais aptas a atender nem mesmo o básico de suas necessidades. O mundo inteiro já percebeu isto.

Até o presidente norte americano, Donald Trump, grita em desespero : “America First”.

No Brasil, infelizmente, comandado por Paulo Guedes e seguidores colocados em postos estratégicos do governo e em empresas estatais, a situação é muito grave.

Na verdade Paulo Guedes e seus seguidores, não lutam apenas pela ideologia neoliberal. Eles lutam muito mais porque tem interesses e compromissos pessoais com estes negócios.

Os males causados pelo neoliberalismo à nação brasileira são patentes.

O neoliberalismo ganhou impulso à partir do final dos anos 70 e início dos 80 do século passado pelo apoio dado de um lado por Ronald Reagan, presidente americano e de outro por Magaret Tatcher, primeira ministra do Reino Unido.

Em 1980 a indústria brasileira produzia mais do que as indústrias chinesa e coreana somadas. Tínhamos centros de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas como telecomunicações, aeronáutica etc.

Em 1990, há apenas 30 anos, o PIB brasileiro ainda era superior ao PIB chinês. Hoje nós temos o saldo deixado pelas políticas neoliberais : o PIB chinês é sete vezes maior que o brasileiro.

Mesmo assim eles insistem. Naturalmente muito mais por compromissos do que por convicção.

A COMUNICAÇÃO COM O POVO BRASILEIRO

Muitos clamam por uma reação popular. Pedem a presença do povo nas ruas em protesto contra o governo.  

O que vejo é o povo (uma grande mistura de raças) sendo bombardeado com informações contraditórias e imprecisas e, quando tem de se definir sobre qualquer assunto, recorre ao único instrumento que lhe resta: o instinto.

Ocorre que o instinto, por mais forte que seja, por si só não consegue superar o problema da falta de informação adequada.

Creio que o neoliberalismo poderá desaparecer sem que o povo brasileiro sequer tenha tomado conhecimento da sua existência.

Mesmo com o apoio de um instinto formidável, fica difícil de tomar uma decisão correta.

Muitos se especializaram em aproveitar desta ignorância.

Precisamos aprender a nos comunicar com o povo, encontrar meios de comunicação com o povo brasileiro para incluí-lo nos processos decisórios do país.

Talvez o problema tenha origem no fato de que depois que aprendemos álgebra nós esquecemos a aritmética.

Nós raciocinamos e nos expressamos algebricamente. O povo, a quem não foi dado o conhecimento da álgebra, raciocina aritmeticamente. As conclusões podem ser as mesmas, mas os caminhos são diferentes.

Cabe a nós a busca do entendimento e da comunicação com a população brasileira

A PETROBRÁS NO PRÓ-BRASIL 

No meu modo de ver, falta a inclusão da Petrobrás no projeto Pró-Brasil. O projeto original prevê investimentos de cerca de R$ 115 bilhões em 3 anos, com geração de empregos estimadas em 1,5 milhão.

Como reflexo dos investimentos que fez no período de 2009 a 2014, a Petrobrás deverá alcançar uma produção de 5 milhões de barris dia de petróleo em 2026.

A Petrobrás pode retomar os investimentos e objetivar alcançar produção de 10 milhões de barris dia em 2030.

Como fez no período 2009/2015, a Petrobrás tem capacidade para investir cerca de US$ 50 bilhões (R$ 250 bilhões) por ano. Isto provocaria em crescimento da geração de emprego entre 5 a 6 milhões.

Mas precisamos ao mesmo tempo buscar a consciência nacional e descobrir os caminhos de diálogo com o povo.

CONCLUSÃO

Segundo o jornalista Guilherme Amado (revista Época – 27/04/2020), o ministro da economia Paulo Guedes irritado, atribuiu ao ministro do desenvolvimento regional Rogério Marinho a ideia de criação do programa Pró-Brasil.

Diz o jornalista: “Guedes apurou que Marinho procurou um a um os ministros envolvidos na formulação do plano – Tarcísio Freitas, Bento Albuquerque, Walter Braga Netto, entre outros – e os convenceu a criar o Pró-Brasil”.

Na fatídica reunião ministerial de 22 de abril a gravação reproduz palavras de Guedes “Acabar com as desigualdades regionais? Marinho, claro, tá lá. São as digitais dele”.  

O desespero de Guedes é justificável pois ele sabe que a implantação do Programa Pró-Brasil significa o fim do projeto neoliberal retrógado, ultrapassado, que ele e seu grupo vem impondo à nação brasileira desde o início do governo Bolsonaro.

Os ministros que lançaram o programa já sabiam qual seria a reação de Guedes. Tanto que ele nem foi convidado para participar do lançamento do Pró-Brasil.

Desta forma, estes ministros mostram de forma clara onde, contra a vontade deles, estão os problemas da economia brasileira.

O ministro Braga Netto certamente não assumiria o protagonismo de lançamento do programa sem a concordância de seus colegas militares no governo.

Esta é, portanto, a grande oportunidade que temos de nos livrarmos de uma vez por todas das garras de Paulo Guedes e sua turma, entre eles Roberto Castello Branco, presidente da Petrobrás. Por isto precisamos apoiar este programa.

A necessidade de inclusão da Petrobrás no programa a meu ver logo será percebida.

Quanto a Paulo Guedes e Castello Branco, vamos deixá-los em casa, provavelmente em Nova York ou na Flórida, onde poderão ser fartar de cloroquina.  

Castello Branco, presidente da Petrobrás, e o ministro da Economia, Paulo Guedes