Por Cláudio da Costa Oliveira – julho 2020 

Plataforma da Petrobrás, nosso patrimônio. (Foto: AgênciaPetrobrás)

Tenho acompanhado muitos amigos discutindo, escrevendo e combatendo as propostas neoliberais que vêm sendo impostas ao nosso país.

Eu mesmo já fiz muito isto, porem chego à conclusão que se trata de uma discussão, inócua, infrutífera, em função da diferença de pensamento que nos separa deles.

Pela proposta neoliberal, os recursos financeiros têm de ser alocados onde possam obter os maiores retornos e o mais rapidamente possível. Parece lógico. A opinião tem de ser respeitada.

Dinheiro não tem pátria, portanto os neoliberais olham para o Brasil como olham para qualquer outro país no mundo.

Seu objetivo não é o desenvolvimento de uma região ou de uma nação. Seu objetivo é a exploração da região ou da nação da melhor forma possível.

Nós, no entanto, temos um entendimento completamente diferente. Objetivamos o desenvolvimento de nossa região, o local onde nascemos, pela qual nossos ancestrais lutaram e morreram.

Temos de respeitar a opinião dos outros. Mas eles também têm de respeitar a nossa e, havendo um grau de informação adequado, nossa opinião deve prevalecer pois representa o pensamento de esmagadora maioria o povo brasileiro.

Portanto, discutir os detalhes das ações não é importante e não leva a nada. O importante é o conceito superior e a opinião do povo em questão.

Sabemos que o neoliberalismo já estava em franca decadência pois exacerbou as desigualdades e a pobreza no mundo. Isto já foi claramente identificado pela maioria dos economistas que passaram a buscar novos modelos.

Com a ocorrência da pandemia do coronavírus os problemas do neoliberalismo aumentaram substancialmente. As nações perceberam que não estavam mais aptas a atender nem mesmo o básico de suas necessidades. O mundo inteiro já percebeu isto.

Até o presidente norte americano, Donald Trump, grita em desespero : “America First” .

No Brasil, infelizmente, comandado por Paulo Guedes e seguidores colocados em postos estratégicos do governo e em empresas estatais, a situação é muito grave.

Na verdade, Paulo Guedes e seus seguidores não lutam apenas pela ideologia neoliberal. Eles lutam muito mais porque têm interesses e compromisso pessoais com estes negócios.   

Os males causados pelo neoliberalismo à nação brasileira são patentes.

O neoliberalismo ganhou impulso a partir do final dos anos 70 e início dos 80 do século passado pelo apoio dado, de um lado, por Ronald Reagan, presidente americano, e, de outro por, Magareth Tatcher, primeira ministra do Reino Unido.    

Em 1980 a indústria brasileira produzia mais do que as indústrias chinesa e coreana somadas. Tínhamos centros de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas, como telecomunicações, aeronáutica, etc.

Em 1990, há apenas 30 anos, o PIB brasileiro ainda era superior ao PIB chinês. Hoje nós temos o saldo deixado pelas políticas neoliberais. O PIB chinês é sete vezes maior que o brasileiro.

Mesmo assim os neoliberais nacionais insistem. Naturalmente muito mais por compromissos do que por convicção.

Recentemente a Advocacia Geral da União entrou com processo no Supremo Tribunal Federal defendendo o arquivamento do pedido do Senado e da Câmara Federal para proibir o desmembramento de empresas estatais em subsidiárias, já que estas podem ser vendidas sem a aprovação do Congresso Nacional, como manda a Constituição Federal no caso da matriz da estatal. https://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/4918-agu-vai-ao-stf-para-acelerar-venda-de-refinarias-da-petrobras

Pior ainda, o ministro Paulo Guedes articula com o Congresso a venda do pré-sal brasileiro (além de outras estatais), cujos recursos, segundo ele, seriam utilizados para cobrir os gastos com a pandemia. https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2020/06/22/venda-da-pp-sa-pode-render-r-500-bilhoes-e-pagar-a-conta-do-coronavirus-diz-equipe-economica.ghtml

Ainda nos anos 40 do século passado, o Gen. Horta Barbosa, a quem deveria ser atribuído o título de patrono da Petrobrás, esclarecia no Clube Militar: “Pesquisa, lavra e refinação (de petróleo), constituem as partes de um todo, cuja posse assegura poder econômico e poder político. Petróleo é bem de uso coletivo, criador de riqueza. Não é admissível conferir a terceiros o exercício de uma atividade que se confunde com a própria soberania nacional. Só o Estado tem qualidade para explorá-lo, em nome e nos interesses dos mais altos ideais de um povo” 

São palavras válidas até os nossos dias.

Infelizmente estas verdades não são levadas ao conhecimento da maioria da população brasileira.

Além disto, temos enorme dificuldade de comunicação com o povo.

A população, de modo geral, não entende nossa linguagem. Talvez seja porque depois que aprendemos álgebra esquecemos da aritmética.

Nós raciocinamos e nos expressamos algebricamente. O povo, a quem não foi dado o conhecimento da álgebra, raciocina aritmeticamente. As conclusões podem ser as mesmas, mas os caminhos são diferentes.

Tenho conversado e aprendido muito com caminhoneiros. Caminhoneiros percorrem todos os rincões do país. Conversam com todos. Eles sintetizam a opinião do povo brasileiro.

O que vejo é que o povo é bombardeado com informações contraditórias e imprecisas e quando tem de se definir sobre qualquer assunto recorre ao único instrumento que lhe resta: o instinto.

Ocorre que o instinto, por mais forte que seja, por si só não consegue superar o problema da falta de informação adequada. 

Creio que o neoliberalismo poderá desaparecer sem que o povo brasileiro sequer tenha tomado conhecimento da sua existência. Mesmo com o apoio de um instinto formidável, fica difícil de tomar uma decisão correta.

Muitos se especializaram em aproveitar desta ignorância.   

Os problemas brasileiros são prementes. Não podemos esperar que 2022 nos traga alguma solução. Precisamos resolver agora.

Uma grande oportunidade de mudar o rumo das coisas foi apresentada pelo ministro chefe da casa civil Braga Neto, quando lançou o projeto Pró-Brasil.

Obviamente o projeto foi imediatamente repelido por Paulo Guedes e sua equipe. Mas é a única solução plausível e precisamos todos nos unirmos em apoio.

No meu modo de ver, falta a inclusão da Petrobrás no projeto Pró-Brasil. O projeto original prevê investimentos de cerca de R$ 30 bilhões em 4 anos, com geração de empregos estimadas em 1,5 milhões.

Como reflexo dos investimentos que fez no período de 2009 a 2014, a Petrobrás deverá alcançar uma produção de 5 milhões de barris/dia de petróleo em 2026.

A Petrobrás pode retomar seus investimentos e objetivar alcançar produção de 10 milhões de barros/dia em 2030.

Como fez no período 2009/2015, a Petrobrás tem capacidade para investir cerca de US$ 50 bilhões por ano. Isto provocaria em crescimento da geração de emprego entre 5 a 6 milhões. Com o apoio financeiro chinês isto poderá ser alcançado.

Mas precisamos, ao mesmo tempo, buscar a consciência nacional e descobrir os caminhos de diálogo com o povo.

São nossas as terras, as águas, o sol, as florestas, os minerais o petróleo etc. Assim como são nossos o samba, o carnaval, a moqueca, a feijoada, a caipirinha etc.     

São nossos e são melhores que os dos outros. Nós não queremos vender, alugar e nem emprestar. São só nossos.   

Lembro então da letra de “Boiadeiro” de Luiz Gonzaga, na qual, entre outras coisas, ele diz :

“De manhazinha quando eu sigo pela estrada. Minha boiada pra invernada eu vou levar. São dez cabeças é muito pouco é quase nada. Mas não tem outras mais bonitas no lugar.” 

No Brasil utilizamos conceitos importados, muito pouco compreendidos, para classificar o pensamento de nossos políticos. Dizemos que são de direita, esquerda, centro-direita, ou centro-esquerda.

Muito mais compreensível seria utilizar o conceito ensinado por Barbosa Lima Sobrinho: “No Brasil só existem dois partidos, o partido de Tiradentes e o partido de Silvério dos Reis.”

Respeitamos, admiramos e aprendemos com todos os povos, sejam americanos, alemães, chineses etc.

Em princípio, o Brasil tem tudo que os brasileiros precisam. Não precisamos da “ajuda” oferecida de ninguém. Se precisarmos solicitaremos, assim como, se pudermos, ajudaremos a quem precisar.  

O que mais precisamos, Ari Barroso mostrou quando exortava “Meu Brasil brasileiro”.