Por Cláudio da Costa Oliveira  –  julho de 2020

A jornalista Miriam Leitão, em sua coluna no Globo, criticou o ministro da economia Paulo Guedes:

“O ministro Paulo Guedes deu uma indicação de que o Brasil pode vir a desfavorecer a empresa chinesa na guerra do 5G. Na visão de autoridades políticas, o país cometerá um grande erro se entrar por razões ideológicas no conflito entre Estados Unidos e China por essa nova tecnologia”. Escreveu também: “as acusações feitas à China na pandemia são parte da campanha americana. O presidente Donald Trump, da forma irresponsável de sempre, tem feito acusações aos chineses nesta pandemia sem comprovação, e o Brasil nada ganha, se abraçar essa versão dos fatos”. Conclui: “Na visão de Paulo Guedes, o Brasil não foi tão atingido pelo choque externo porque não é aberto ao mundo. Na verdade, foi porque a China aumentou suas compras de soja e de proteína animal.”

Esta é a mesma Miriam Leitão, que, como Paulo Guedes, sempre foi defensora do neoliberalismo e do capital estrangeiro?

A mesma Miriam Leitão que, com seu companheiro Carlos Alberto Sardenberg, em princípio, sustentou que o pré-sal brasileiro não existia?    

E que depois disse que a Petrobrás não tinha capacidade para explorar petróleo naquelas profundidades? Que precisaria contratar empresas estrangeiras?

Que disse ainda que o custo de extração era muito elevado e que o pré-sal seria inviável economicamente? 

E por fim, essa é a mesma Miriam que criou, juntamente com Sandenberg, a “Mãe de todas as mentiras”: a Petrobrás estava quebrada?

Esses jornalistas jamais se retrataram apesar das evidências cristalinas registradas nos balanços publicados pela companhia. 

Convocada pela CPI da Petrobrás na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2018, sob o comando do dep. Paulo Ramos, para falar de suas afirmações, Miriam Leitão covardemente se protegeu com liminares da Justiça para evitar o depoimento. A jornalista sempre fez tudo para defender o capital especulativo estrangeiro em detrimento de um projeto de crescimento soberano da nação brasileira, aplaudindo as políticas desastrosas de Pedro Parente (do mesmo balaio de Guedes) no comando da Petrobrás, a quem qualificava “um colosso”.

Agora mudou? Os ataques do atual Presidente da República à rede Globo fazem mudar as convicções de seus jornalistas?

Nós capixabas gostamos de uma moqueca, e em muitas ocasiões nos lembramos do ditado popular: Farinha pouca, meu pirão primeiro. É esta a causa da mudança de Miriam?

Provavelmente esse seja sim um dos motivos, mas o fato é que os defensores do neoliberalismo, com o rápido declínio desse modelo, vão começar, cada vez mais, a entrarem em conflito entre eles mesmos.

O próprio ministro Paulo Guedes, que parece delirar quando diz que “os sinais vitais da economia têm sido preservados” em entrevista no último domingo (5/07), repetiu informações requentadas, o que levou o jornalista Josias de Souza (UOL 06/07/2020) a publicar artigo com o título “Guedes inventa privatização no modelo Ze Keti”.  https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2020/07/06/guedes-inventa-privatizacoes-no-modelo-ze-keti.htm  

Josias esclarece: “A coisa se baseia no lema ‘este ano não vai ser igual aquele que passou’. Todos logo percebem que o tempo das privatizações de Guedes não passa. Já passou. E o ministro reitera a lorota. Ainda não notou. Mas já não há ‘mais de mil palhaços no salão’ dispostos a lhe dar crédito”.

A afirmação de Paulo Guedes de que “o Brasil pode vir a desfavorecer a empresa chinesa na guerra do 5G” pode ser um respingo do almoço que o presidente Bolsonaro participou no último sábado (04/07) na embaixada americana, em Brasília.

Lembramos que o embaixador americano Todd Chapman foi o mesmo que, em recente entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, declarou que os Estados Unidos “não pretendem permitir que o Brasil adquira tecnologia chinesa 5G”.

A impressão é que estão desesperados, “batendo cabeça”.

A gigante chinesa Huawei, dispõe da melhor tecnologia 5G (disparado), do melhor preço (disparado) e financia tudo.

Ou seja, a empresa chinesa oferece exatamente o que a teoria capitalista, neoliberal, globalizante, sempre considerou fundamental.

Então eles querem tentar tapar o sol com peneira? E quem vai pagar a conta?

Provavelmente, farão uma campanha junto à população brasileira, taxando a China de uma ditadura sanguinária.

Mais uma vez recorro a Millôr Fernandes: “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”.