Por Cláudio da Costa Oliveira – junho de 2020 

Em 28 de abril de 2020, o Conselho de Administração da Petrobrás aprovou um novo modelo para gestão da Assistência Multidisciplinar de Saúde – AMS. O aprovado estabelece que a gestão da AMS Petrobrás será executada por uma associação civil em substituição da atual administração direta.  

Segundo a Companhia “assim a AMS poderá melhorar os serviços e tornar mais ágil o atendimento aos beneficiários, aumentando a qualidade, que hoje é motivo de um grande número de reclamações (2.595 em 2019)”.  

A Companhia informa também que “estima-se que haja uma redução de custos da ordem de R$ 6,2 bilhões nos próximos dez anos”. 

Tais mudanças na administração da MAS estão sendo implementadas contrariando o Acordo Coletivo de Trabalho 2019/2020 e à revelia de seus mais de 284 mil participantes, que sequer foram consultados.  

NÚMEROS CONFLITANTES

A AMS acaba de informar aos participantes do plano que a partir de julho/2020 serão efetuadas cobranças extras para cobrir o déficit de 2019.

Os dados do relatório de 2019 da AMS recentemente divulgado mostram discrepâncias injustificáveis nos números apresentados conforme relatei no recente artigo AMS cobra déficit que não existiu?.

Os números mostram que não existiu um déficit em 2019 e sim um pequeno superávit. Além disso, se comparamos os dados do relatório da AMS com os registrados nos balanços da Petrobrás, as diferenças são gritantes.

Fica claro que nenhuma cobrança poderia ser efetuada antes que estes dados sejam analisados, cotejados, e muito bem explicados.   

RECLAMAÇÕES DISPARAM 

A mineradora Vale S.A., empresa privatizada em 1995, até hoje mantém seu plano de saúde sob administração direta. Recentemente fez uma pesquisa de satisfação entre os beneficiários dentro dos parâmetros estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde no país. 

Por que a Petrobrás não faz o mesmo ao invés de querer impor um modelo de gestão que não trará qualquer vantagem efetiva?  

A ANS publica regularmente o índice de reclamação referente a cada operadora de plano de saúde.  

O gráfico a seguir, elaborados por mim com dados da ANS, mostra o índice do plano da Vale comparado com o índice médio de planos do mesmo porte. 

Vejam que o nível de reclamação do plano da Vale é muito inferior à média. Agora vamos ver o gráfico referente ao plano da Petrobrás (dados ANS): 

Notem que o nível de reclamação é muito superior e a partir de dezembro de 2019 dispara e supera a média dos planos equivalentes. É evidente que o que ocorre é um problema de administração do plano.   

CONCLUSÃO

Sabemos que os principais problemas com a AMS tiveram início com a publicação da resolução 23ª da CGPAR, em 2018, ainda no governo Temer.

Sabemos também que a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) elaborou um projeto de decreto legislativo PDC 956/2018 que objetiva anular a resolução 23ª, que se encontra aguardando votação na Câmara Federal.

Entretanto não devemos ficar aguardando a votação do PDC 956/2018. Antes disto, os dados mostram ser necessária a suspensão liminar da cobrança extra com nomeação de perito para avaliação dos números. 

Na administração de recursos humanos, em qualquer empresa decente, é recomendada competência e liderança. Na Petrobrás atual estes valores foram substituídos por assédio, coação e terrorismo.