Por Cláudio da Costa Oliveira – Junho 2021

Na manhã do dia 25 de junho, o atual presidente da Petrobrás, Joaquim Silva e Luna, compareceu a uma audiência na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

O comparecimento do general em uma comissão do Congresso já foi um fato positivo, que o diferencia de seus antecessores recentes na Petrobrás.

No entanto, o atual presidente da companhia apresentou alguns argumentos falsos, utilizados por seus antecessores, como os dos supostos problemas financeiros da empresa e da dívida impagável, temas completamente desmontados por diversos artigos como “O mito da Petrobras quebrada” e muitos outros.

O atual presidente tentou defender, sem muita convicção (porque não existe), a política de preços da companhia, à qual erroneamente chama de Paridade Internacional, como muitos outros, e não de Paridade de Importação. Que são coisas muito diferentes.

Afirmou que os petroleiros aprovam a administração da companhia, pois se preocupou em nomear para a diretoria funcionários de carreira, a chamada “prata da casa”. Não atentou para o fato de que os nomeados impulsionaram suas carreiras nas últimas administrações (Parente, Monteiro e Castello) e que provavelmente não formem uma amostra representativa do pensamento dos petroleiros.

Falou da relevância da contribuição em impostos pela companhia, que em 2019 superou os R$ 200 bilhões, quando registrou um lucro de R$ 40 bilhões, e em 2020 superou R$ 100 bilhões, quando registrou lucro de R$ 10 bilhões. Não se lembrou de dizer que o lucro de 2019 (R$ 40 bilhões) foi fruto do resultado contábil da venda da TAG e da BR Distribuidora. Não reparou na brutal queda de pagamento de impostos entre 2019 e 2020, fruto do desmonte da empresa e de isenções tributárias exageradas. Deixou de dizer que em 2020, pela primeira vez em sua história, a companhia pagou mais dividendos do que o lucro obtido.

Por último, mas não de menor importância, insistiu na frase: “A Petrobrás desinveste para investir mais e melhor no Brasil”. Neste assunto foi aparteado pelo líder do governo que disse, posteriormente apoiado pelo general, que o termo desinvestimento deveria ser alterado para a pérola “Realocação Estratégica de Reinvestimentos”.  Ou seja, eles têm especial preocupação com a palavra privatização.

Ocorre, general, que provavelmente, pelo pouco tempo que o Sr. tem na empresa (aqui fica o meu voto de confiança), não reparou bem nos quadros de Usos e Fontes apresentados nos planos estratégicos da companhia.

No plano para o período 2020/2024, foi apresentado o seguinte quadro:

Quadro Usos e Fontes 2020-2024 – Fonte:Petrobrás

Veja general, que a geração de caixa (US$ 158/168 bilhões) é mais do que suficiente para cobrir os investimentos, as amortizações e os juros (76+33+26+12=147). Portanto, a “Gestão ativa de portfólio” (privatização) US$ 20/30 bilhões só existe para cobrir o pagamento de dividendos, de US$ 34 bilhões.

Fica mais claro ainda quando vemos o plano estratégico seguinte 2021/2025, que previu uma queda de receita e, portanto, diminuição da geração de caixa:

Quadro Usos e Fontes 2021-2025 – Fonte:Petrobrás

Veja general, com a redução da geração de caixa, a solução encontrada foi aumentar a privatização e reduzir os investimentos para manter o valor do pagamento de dividendos.

Portanto, a Petrobrás desinveste para pagar dividendos, e não para investir melhor no Brasil.

No final da audiência, o deputado Paulo Ramos PDT/RJ registrou a esperança de que o espírito do general Horta Barbosa inspirasse o general Luna e Silva.

Para quem não sabe, o general Horta Barboza em 1947, no clube militar, em discurso falou: